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O grande desperdício corporativo por trás dos cadastros fantasmas

Portal Contábeis 31 de julho de 2026

Há um indicador no ecossistema de negócios que costuma ser positivo, mas que, na realidade, deveria acender um sinal de alerta vermelho: o volume de novos usuários cadastrados em programas de relacionamento. Celebrar essa métrica isolada é o equivalente corporativo a comemorar o número de pessoas que entraram em uma loja, olharam a vitrine e foram embora sem comprar nada. O mercado corporativo brasileiro está gastando muito para construir bases gigantescas de clientes inativos, alimentando uma ilusão de engajamento que não se traduz na última linha financeira.

Nas últimas décadas, a resposta padrão de qualquer empresa para tentar reter o público foi a mesma: criar um clube próprio, lançar uma mecânica de pontos e exigir um novo cadastro. Esse modelo gerou um fenômeno perigoso para as marcas, que é o acúmulo de dados frios e passivos. As companhias investem em tecnologia, campanhas de marketing para aquisição e estruturas pesadas de atendimento, mas o retorno real sobre o investimento (ROI) despenca porque o cliente simplesmente esquece que faz parte daquela iniciativa logo após o primeiro clique.

O erro de diagnóstico das lideranças está em acreditar que reter clientes é uma questão de volume de ofertas, mas não é. Trata-se de uma questão de utilidade e conveniência. Quando uma organização força o consumidor a navegar por um ecossistema complexo e isolado para obter valor, ela está, na verdade, punindo o cliente pelo fato de ele ser fiel. O verdadeiro valor para o negócio não nasce da quantidade de regras que uma empresa consegue impor, mas de quão organicamente ela consegue se inserir na rotina que o indivíduo já possui.

Para virar esse jogo e parar com o desperdício de recursos, a mentalidade executiva precisa migrar da lógica da posse para a lógica da parceria. O futuro do relacionamento corporativo não está na criação de mais ilhas tecnológicas isoladas, mas na capacidade de integrar soluções. Empresas inteligentes estão percebendo que é muito mais lucrativo e eficiente oferecer vantagens que conversem com as necessidades diárias e reais do cliente, como alimentação, saúde e transporte, do que tentar forçá-lo a valorizar uma moeda própria que só faz sentido dentro de um único ecossistema.

No fim das contas, o consumidor não cria vínculo com plataformas complexas, mas com experiências que simplificam sua rotina e entregam valor sem exigir esforço adicional. É justamente essa facilidade que transforma um cadastro em relacionamento e um relacionamento em resultado para o negócio.

Por fim, a eficiência operacional e o crescimento sustentável de uma marca dependem da coragem de desmembrar o que é complexo. Continuar investindo em estruturas pesadas que geram apenas cadastros fantasmas é um luxo que as empresas não podem mais se dar. O foco estratégico deve ser, urgentemente, transformar o investimento em relacionamento em valor imediato, fluido e que de fato mova o ponteiro do negócio.

Por: Aluísio Cirino, sócio fundador da Alloyal

Fonte original: Portal Contábeis — ler no site oficial

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