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Dos servidores para a psicologia humana: como combater o avanço do cibercrime em tempos de Copa do Mundo

Portal Contábeis 20 de julho de 2026

No ecossistema da tecnologia da informação, bilhões de dólares são investidos anualmente no desenvolvimento de firewalls intransponíveis, criptografias de última geração e sistemas de inteligência artificial voltados à detecção de ameaças. Para exemplificar essa realidade em números, o Gartner divulgou recentemente um estudo global sobre a previsão de gastos por usuários em Segurança da Informação e gerenciamento de riscos que ultrapassou a barreira dos US$ 213 bilhões. Por outro lado, o investimento corporativo mundial voltado especificamente para combater ameaças automatizadas com IA saltou de US$ 25,9 bilhões para US$ 51,3 bilhões anuais — um crescimento de quase 100% num curtíssimo espaço de tempo.

Apesar da IA já ser aplicada à cibersegurança e estar em forte aceleração, um paradoxo persiste: as invasões continuam acontecendo e os prejuízos não param de crescer. Eles atingiram a marca de US$ 10,5 trilhões ao ano, segundo o Cybersecurity Ventures. Esse valor representa um montante maior do que o PIB de quase todas as nações do mundo, englobando custos com roubo de propriedade intelectual, destruição de dados, fraudes e perda de produtividade.

No Brasil, o prejuízo médio por empresa, considerando uma única violação de dados, atingiu o recorde de R$ 7,19 milhões por incidente — um aumento de 6,5% em relação ao ano anterior. Os dados são do relatório Cost of a Data Breach, da IBM. O estudo aponta que o phishing permaneceu como o vetor inicial mais comum, sendo a porta de entrada para 18% de todas as invasões bem-sucedidas no país.

Risco Humano

Apesar desses aportes bilionários, os criminosos digitais continuam focando na manipulação do comportamento humano para aplicar seus golpes, já perceberam que os usuários continuam sendo o elo mais vulnerável desse ecossistema de segurança digital.

Pesquisas de mercado indicam que o risco humano é apontado como a causa raiz de 74% a 85% dos golpes digitais e vazamentos de dados no mundo. É muito mais simples, rápido e barato induzir um usuário legítimo a entregar suas credenciais por livre espontaneidade do que tentar quebrar uma barreira criptográfica robusta. O verdadeiro alvo migrou dos servidores para a psicologia humana. Eles exploram o alto apelo emocional, o senso de urgência e o frenesi de consumo que momentos de grande comoção social ou eventos globais, como a Copa do Mundo inevitavelmente geram.

Ao combinar um volume colossal de transações digitais simultâneas com a distração natural dos torcedores, criam um ambiente propício para fraudes sofisticadas. Engenhosos laboratórios do crime operam na clonagem de sites oficiais — como os portais da FIFA —, replicando layouts falsos com o objetivo de capturar dados pessoais e financeiros de vítimas movidas pelo impulso de consumir o que campanhas promocionais tentadoras oferecem.

A Copa do Mundo ainda não terminou, mas já existem dados alarmantes sobre o aumento de golpes e fraudes durante o período. Relatórios de cibersegurança divulgados por laboratórios de empresas especializadas em soluções de segurança apontam que, entre janeiro e maio, cerca de 1.140 de 13 mil domínios eletrônicos registrados com referências ao mundial, foram classificados como falsos e/ou suspeitos.

Mitigar esses riscos exige uma postura ativa e coordenada de empresas e usuários. Do lado dos consumidores, medidas de higiene digital precisam se tornar hábitos automáticos: verificação minuciosa de sites, desconfiança diante de promoções mirabolantes e adoção obrigatória do duplo fator de autenticação (MFA). Para as empresas, o mercado exige a contratação de soluções e serviços profissionais de proteção digital capazes de monitorar a internet e realizar a derrubada imediata (take down) de sites e perfis falsos.

Cultura da Segurança Ativa

A tecnologia isolada não é suficiente; as organizações precisam investir em treinamento comportamental prático. É vital simular ataques reais de phishing no ambiente corporativo, capacitando as equipes para identificar as armadilhas da engenharia social. Negligenciar essa prática significa colocar em risco a continuidade dos negócios, gerando prejuízos devastadores que abalam a estrutura financeira, jurídica e reputacional da marca.

Fazendo uma analogia com a segurança patrimonial, deixar de investir em treinamento do comportamento dos colaboradores é o equivalente a colocar portas blindadas na empresa e deixar a chave na fechadura do lado de fora. Somente educando o olhar seremos capazes de transformar esse cenário. É preciso parar de enxergar o colaborador como uma vulnerabilidade passiva e começar a tratá-lo como o principal ativo de defesa das organizações capaz de interromper a engrenagem do cibercrime.

Por Glauco Sampaio, CEO da Beephish

Fonte original: Portal Contábeis — ler no site oficial

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